ThiagoDamasceno

quarta-feira, 19 de abril de 2017

#Entenda o que é Ḥadīth

                  Mais um pequeno vídeo para se entender o sunnismo e o xiismo. Orientalismo na Rede: o seu canal de estudos históricos e culturais sobre o Oriente Médio!



domingo, 12 de março de 2017

CHÃO E VAIDADE --- ou Fígado Suado --- (crônica)

Por Thiago Damasceno

“Eu trago comigo os estragos da noite pela infinita estrada que tracei. Eu ando sozinho pela madrugada apagando os erros em doses viradas”. Ok, ok, confesso que minha versão de uma certa noite por aí não foi igualzinha aos versos do David Ballot, mas eles servem pra iniciar uma crônica sobre essa noite, seus acontecimentos e suas criaturas.
Trago comigo mais um fígado suado do que os estragos da noite em si. E não, não tracei infinita estrada nenhuma, fui mais traçado na verdade, tipo um joguete do Destino. Ando sozinho de madrugada às vezes, ou o tempo todo mesmo, pois coisa mais difícil é encontrar alguém em sintonia com você e, não, não apago os erros em doses viradas, os erros nem se apagam: vão se acumulando na memória.
- Então cê nem sabe onde tá pisando nesse caso?
- Sei não. Quando o chão desabar, aí eu vou ficar sabendo – respondi.
- Mas aí não vai ser tarde demais não, Negão? – perguntou meu melhor amigo.
- Vai, mas vou ficar sabendo do mesmo jeito, vou saciar minha vaidade em saber – concluí com a certeza que só o etilismo dá.
O lugar se chamava Cabaret Voltaire. Confesso que um “Cabaret Rousseau” combinaria mais com minha personalidade, mas, às vezes, me baixa um espírito voltaireano. Mas deixemos a melancolia rousseuneana para os dispostos a sofrer e voltemos ao otimismo de Voltaire.
Um dos companheiros da noitada era um ilustre desconhecido e melhor amigo de última hora. Nossos orixás bateram, Olodunmarê abençoou. Pensei que a noite começaria com o suspense causado pela tensão entre Éris e Eros, mas acabou com a união entre Ajagunã e Ogum, mas não fazendo guerra, e sim acendendo o cachimbo da paz. Éris dissipou-se junto com a fumaça e Eros ficou em alguma bruma, oculta em segredo.
E, no meio dessa animação toda, a mente tentou teorizar as questões da vida. A questão da vez é que a existência precisa de problemas senão não nos reinventamos, não somos instigados à criatividade de buscar uma solução. Até as preocupações têm seu lado positivo. Vida chata é vida sem problemas! Claro que há casos e casos...
Mas nem só de animação, problemas e casos sobrevivem as trevas tropicais de Goiânia. A madrugada veio em cheio com um soco no estômago e o corpo clamou por descanso. Era chegada a hora de ignorar os erros e pegar no sono, de ignorar Éris e Eros, Ajagunã e Ogum, e de repousar sob as sombras de Iansã Onira e de Hipnos. Isso mesmo, tudo junto e misturado, mais de um credo, mais de uma etnia, ou somente o um do todo: a crença e a etnia da miscelânea. Esse é o chão do Brasil. Isso é Brasil.
- Então cê nem sabe onde tá pisando nesse caso?
- Sei não. Quando o chão desabar, aí eu vou ficar sabendo – respondi.
- Mas aí não vai ser tarde demais não, Negão? – perguntou meu melhor amigo.
- Vai, mas vou ficar sabendo do mesmo jeito, vou saciar minha vaidade em saber – concluí com a certeza que só o etilismo dá.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Crônica: Goiânia, Cidade dos Ventos


Por Thiago Damasceno

“Goiânia não ventaaa!!!”. Já ouvi essa sentença da boca de muitos goianienses. Engraçado é que tem anos que moro no sexto andar e tem dias que os ventos faltam é arregaçar as janelas de vidro. O calor de Goiânia não é ocasionado – muito menos explicado – pela suposta falta de vento, mas existe simplesmente por existir. O calor goianiense é um ser em si mesmo.

               Saio do médico e vou pedalar um pouco. Vento, vento, vento. Por todos os lados... vento. Desde ontem as tardes estão bem bonitas: claras, azuis, calmas, ventuosas. Leves, nutritivas e saborosas como uma crônica ao vento.

               Caminho pelo Centro, com um sapatênis com solado fino, sentindo com tudo o chão sob os pés. Vento, vento, vento... e vento. Acho que só assim é possível sentir de fato a cidade em que se mora.

               Namoro uns livros pelas livrarias, compro uma revista na banca da Goiás. É a Leituras da História, com a matéria sobre os refugiados na capa. Vento, vento, vento... do Oriente Médio à América do Sul.

              Leio sobre o sofrimento dos refugiados enquanto, desumanamente, engulo uma jantinha de espetinho de gato com uma Eisenbahn Pilsen no boteco da esquina. Leio uma opinião sobre o Trump, o garçom vê e puxa papo sobre o muro do México. Atualidades, garçom simpático, conversa oficial de boteco e enquanto isso... Tome-lhe vento!

               Volto pra casa pensando em todo o dia. Tento chegar a uma conclusão favorável da vida cotidiana enquanto o Sol se põe. Às vezes essa conclusão é sincera, às vezes minto pra mim mesmo. Mas tudo bem, acho que só o vento não mente.

               Ah, e por falar nele...

Vento, vento, vento. Por todos os lados... vento. Desde ontem minha vida anda leve, nutritiva e saborosa como uma crônica ao vento.